Artista
Sônia Ebling
Sônia Ebling

Um pouco de história

Sonia decidiu se tornar escultora aos 17 anos de idade ao visitar o atelier do escultor paulista Humberto Cozzo no Rio de Janeiro. Os nus de mulheres de Cozzo lhe encantaram e o encontro com o artista, suas obras, seu meio de vida e seu atelier causaram-lhe um forte impacto que se revelou como um definitivo desejo e insight.

Desde então esculpir para adolescente Sônia se tornou vital. Filha de descendentes alemães e nascida na cidade de Taquara no Rio Grande do Sul.

O que Sonia não sabia era que em 1935 os ateliers de esculturas eram clubes masculinos, exclusivos e fechados. Escultura era coisa de homem coisa de macho.

De volta para casa ao manifestar seu desejo desperto levou um banho de água fria. Escultura era coisa de homem. Pintar sim, mas esculpir não.

Se tivesse dito que queria tocar violão teria recebido a mesma reação. Piano sim. Violão não.

O machismo era arraigado e o preconceito também.

Quando voltou para casa do Rio e da experiência fulminante começou a se preparar para o vetibular no Instituto de Belas Artes de Porto Alegre. O seu professor titular da cadeira de escultura lhe disse que ela era muito franzina que tinha que primeiro pintar, aprender o desenho crescer e depois fazer escultura.

Apesar de tirar as notas máximas na disciplina da pintura não se deixou influenciar e depois de formada partiu para sua grande paixão.

Aos 17 anos além de descobrir sua verdadeira vocação Sonia se casa com um jovem oficial do exército do Rio de Janeiro onde começo a freqüentar a Escola de Belas Artes e a esculpir.

Sem desistir Sonia se matriculou no Instituto de Belas Artes de Porto Alegre e mais adiante na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, mas teve que em ambas as escola percorrer o caminho da pintura.

Mesmo trabalhando com tintas e pincéis, papéis e crayons suas pinturas já pareciam talhadas em mármore e fundidas em bronze.

Sonia tinha o olhar de escultora e não de pintora e suas pinturas tinham volume, luz, definição de espaço, típicos da escultura. Sonia teve que ser pintora antes de ser escultora.

Ao concluir seus estudos de Belas Artes Sonia mergulhou no gesso, no cimento, no mármore e no bronze.

(ver sobre a necessidade de pintar antes de esculpir o depoimento de sonia)

Desde 1935 até seus últimos dias passaram-se 70 anos dedicados ao um percurso árduo.

O reconhecimento e os prêmios começaram em 1951, dezessies anos após o estalo inicial, quando o júri de seleção da 1 Bienal Internacional de São Paulo aceitou o gesso “Adolescentes”e Sonia deixou de ser a menina que queria ser escultora para ser Sonia Ebling a escultora. A sua primeira escultura, adolescentes, duas figuras em pé e inocentes como ela foi aceito na Primeira Bienal de São Paulo. Sonia disse que secou o gesso com secador de cabelo pois a data da entrega se esgotara.

Em 1955 um outro grande marco acontece em 1955 quando Sonia recebe o Premio Viagem ao Exterior do Salão e chega a Paris e só regressa ao Brasil 15 anos depois.

Sonia conta que quando estava preparando a peça Mulher e Pássaro para concorrer ao Prêmio de Viagem ao Exterior era de tarde uma grande quantidade de barro a figura muito grande e pesada. A armação cedeu e com ela a figura. Todo o trabalho foi perdido modelado por semanas. Ela disse que era com se um pedaço de mim tivesse desmoronado. Era impossível deixar para o dia seguinte com muito medo trabalhei a noite inteira chorando e rerguendo a peça. Consegui levanta-la e ganhar o premio almejado.

A carreia de Sonia é marcada por sucesso desde o início. Sonia nunca foi recusada e sua carreira é brilhante.

A cidade de Rodin foi fundamental na vida pessoal e artística de Sonia.

Durante as décadas de 50 e 60 que viveu na Europa Sonia participou de inúmeras Exposições na França e em outros países da Europa e Estados Unidos e desempenhou ação pioneira como artista mulher e escultora. E segundo o crítico de arte Carlos von Schmidt Sonia foi a primeira a romper a barreira do preconceito arraigado. Já que foi a primeira escultora a começar aqui no Brasil e desbravar este caminho.

De volta ao Brasil em 1970 Sonia trouxe na bagagem o que aprendeu com seu professor o russo Ossip Zadkine. Mestre reconhecido íntimo de Picasso e do cubismo.

O obra

Na obra de Sonia o que predominam são as mulheres. Existem também os animais mas as mulheres predominam. Como se Sonia ao esculpi-las estivessem dizendo estamos aqui e vamos continuar.

“Continuo amando cada vez mais meu grande amor – a escultura. E tenho certeza, morrerei com este amor, enquanto viver dedicarei a ele minha vida, continuando assim a viver.” Sonia Ebling

Texto baseado no ensaio de Carlos Von Schmidt.

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